SSRSB · HISTÓRIA

Quem somos

Mais de século e meio de proteção social, entreajuda e ligação entre gerações de bombeiros de Lisboa.

1395 — hoje
ARQUIVO / MEMÓRIAEntreajuda, proteção social e continuidade.
PATRIMÓNIO INSTITUCIONAL

Uma história que antecede a própria organização contemporânea dos Serviços Sociais.

A memória dos SSRSB acompanha séculos de evolução da prevenção, do socorro e da proteção social dos bombeiros de Lisboa. O percurso começa muito antes da associação atual e ajuda a compreender a cultura de entreajuda que ainda hoje a define.

CARTA RÉGIA

Carta Régia

Transcrição integral do documento histórico referido pelos SSRSB.

D. João I — 25 de agosto de 1395

O mais antigo documento conhecido sobre providências contra incêndios na cidade de Lisboa. É o n.º 57 do Livro 1.º de El-Rei D. João I — Chancelaria Régia — Códice X do Arquivo Histórico Municipal de Lisboa. A reprodução histórica referida pelos SSRSB corresponde a uma ampliação de um fotograma dos negativos do filme documental “Vida Por Vida”, produzido em 1969.

Texto integral do documento

João por graça de Deus rei de Portugal e do Algarve, a vós corregedor, juizes e homens bons da mui nobre e leal cidade de Lisboa, saúde. E sabede que uma carta que nos enviastes em que porquanto, por vezes, se levantou fogo em essa cidade, conteis que era bem que os pregoeiros dessa cidade, por freguesias, em cada uma noite, depois do sino de recolhença, andem pela dita cidade apregoando que cada um guarde e ponha guarda ao fogo em sua casa e que se algum fogo se levantasse, o que Deus não queira, que todos os carpinteiros e calafates venham aquele local, cada um com o seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo e outrossim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem tragam cada uma o seu cântaro ou pote para apagar o dito fogo e outrossim porque muitos acodem e vêm a ele para roubar acordaste que os corretores que há na dita cidade cheguem aí com as suas armas para haverem de guardar que se não faça roubo e qualquer dos sobreditos que isto não fizer que pague certa a pena que nos pedistes, por mercê que nós confirmamos a dita ordenação por nossa carta e mandamos que se guardasse. E nós, vendo o que nos pedistes e enviastes, porquanto entendemos a dita Ordenação por boa e proveitosa. Temos por bem e confirmamo-la e outorgamos e mandamos que se guarde e cumpra segundo por vós é posta e, porém, vos mandamos que faceis assim cumprir e guardar e mandamos que as casas que assim derribarem para atalhar o dito fogo e se não fazer maior dano que esse conselho nem outro nenhum não seja de todo fazê-las, pois se faz por prol comum. E em testemunho disto vos mando dar esta nossa carta, dada na cidade do Porto, aos vinte e cinco dias de Agosto. El-rei o mandou por Martinho Vicente Godinho, seu vassalo e ouvidor na sua corte, o que isto mandou lavrar, não sendo aí os do seu desembargo. Alvaro Gonsalves a fez. Era de mil quatrocentos e trinta e três. Vincentins. D. João I
EVOLUÇÃO

Da proteção municipal à associação que conhecemos hoje.

Os principais marcos são apresentados sem retirar o contexto histórico e social de cada período.

01

Primeiras medidas de proteção social

10 de setembro de 1853

O regulamento municipal dos empregados da repartição de incêndios passou a prever proteção para quem se lesionasse no serviço dos fogos e preferência no acesso a funções municipais compatíveis com o respetivo estado físico e capacidades.

1869

O Regulamento do Serviço de Incêndio da Cidade de Lisboa determinava que os bombeiros feridos em serviço fossem tratados a expensas do cofre municipal. Em caso de acidente mortal, previa igualmente o pagamento do funeral e a procura de amparo para viúvas e órfãos.

1880–1881 — Montepio de S. Carlos

Em 4 de junho de 1880 foi fundado o Montepio de S. Carlos por iniciativa do inspetor de incêndios Carlos José Barreiros. Em 1881 foram aprovados os primeiros estatutos, estabelecendo critérios de atribuição de subsídios, pensões, enterros e legados aos sócios efetivos. Mais tarde, a instituição adotou a designação Associação dos Socorros Mútuos Carlos José Barreiros, dos Bombeiros Municipais de Lisboa, tendo recebido o qualificativo honorífico de Real.

02

Fundo de Auxílio do Pessoal do BSB/RSB

Os apoios incluíam inicialmente assistência medicamentosa e, através da Cooperativa “O Sapador”, acesso a géneros alimentares com possibilidade de pagamento faseado. Esta estrutura conheceu interrupções relacionadas com alterações políticas e com os períodos das duas grandes guerras.

18 de novembro de 1976

Em sessão ordinária da Câmara Municipal foi aprovado por unanimidade o regulamento do Fundo de Auxílio do pessoal do B.S.B., reforçando formalmente os mecanismos de apoio social ao pessoal.

SÉC. XXI

Finais do século XX

No final do século XX e início do século XXI, por força da legislação aplicável, a estrutura foi transformada em Associação. Entre as alterações estatutárias mais relevantes estiveram a redefinição do número de diretores e a criação e eleição democrática, em simultâneo, dos três órgãos sociais.

SÉC. XXI

Início do século XXI

Foram progressivamente introduzidos novos apoios para além da componente medicamentosa. A atividade passou a incluir, entre outras respostas:

  • empréstimo de carrinhas e concessão de diferentes subsídios;
  • criação de Núcleos destinados a práticas desportivas de lazer e competição;
  • promoção de eventos culturais;
  • participação em colóquios, workshops, seminários e sessões temáticas ligadas direta ou indiretamente à profissão.
05

Um futuro… Mil horizontes!

A evolução dos Serviços Sociais mantém como fio condutor a proteção, a solidariedade e a proximidade entre gerações de bombeiros sapadores. A memória institucional não é apenas património histórico: é a base para continuar a desenvolver respostas úteis aos associados.

CONTINUIDADE

Memória com utilidade no presente.

Preservar a história dos que vieram antes é também compreender a razão de existir dos Serviços Sociais: apoiar pessoas, famílias e uma comunidade profissional que atravessa gerações.

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